domingo, 25 de abril de 2010

What happened to this world?



Eu juro que me pego pensando nisso sempre.

Hoje, por exemplo, durante o almoço, quando meus irmãos começaram a tirar sarro de um daqueles quadros dos programas de domingo em que o pessoal ajuda pessoas carentes. Tá, eu nem gosto desses programas e tenho asco de gente que gosta de ficar se aparecendo na TV - mas nem por isso vou rir de alguém que está dando uma entrevista e começa a chorar porque tem que sobreviver com o equivalente a um quinto do salário mínimo.

E aí eu paro e começo a reparar que, na verdade, não são só meus irmãos - é o mundo todo. Já cansei de ouvir gente falar que os pobres não trabalham porque é mais confortável passar o dia vagabundeando e sendo sustentado pelo bolsa família. Mas veja bem: aqui em casa a gente ganha bem mais do que aquele bolsa família dá e ainda assim meus pais estão lutando pra sair das dívidas. Com o bolsa família essas pessoas tem o básico do básico.

Tá, é dinheiro fácil - mas eu duvido que elas gostem de morar em um lugar que pode desabar a qualquer instante, ou de ter que comer arroz e feijão com carne de segunda todo dia, ou de não ter nem água encanada, ou de ter que comprar só produtos falsificados ou contrabandeados, ou de ver todas as pessoas irem para a praia nos fins de semana enquanto eles no máximo podem ir para o Parque do Ibirapuera, que é grátis.

E mesmo assim as pessoas continuam com aquele cinismo de que "pobre é pobre porque quer".

Bom, eu sinceramente não sei o que dizer para quem pensa assim, juro que não sei; porque um dos meus sonhos sempre foi fazer trabalhos voluntários, mas eu nunca tive tempo, e Deus me perdoe por isso porque eu sei que deveria achar tempo.

(Uma das coisas que eu nunca vou esquecer é de uma vez em que eu estava voltando da casa da minha avó - e eu tinha uns sete anos nessa época - e passou por nós um homem com jeito de mendigo arrastando um carrinho de mão cheio de lixo e eu comecei a chorar tanto que minha mãe achou que ele tinha feito algo para mim; e eu só parei de chorar quando chegamos em casa e minha mãe explicou que aquelas coisas que ele estava carregando iriam dar dinheiro pra ele.)

1 comentários:

Saki Miyazawa Morgan disse...

...

Só consigo pensar em dar um grande [2] em tudo o que você disse, Nanne. Só isso.

(E entendo perfeitamente o que você sentiu quando viu esse homem na rua. Ainda sinto isso, com uma frequência assustadora.)

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