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terça-feira, 25 de maio de 2010

Who wants poetry?


Acho que poesia não é para mim.

Eu adoro ler poesia e acho genial quem consegue escrever - boas poesias. O problema é que eu não estou entre essas pessoas. E não sei se quero estar.

Acho que poesia é, basicamente, emoção. O que você sente, sabe? É sensorial. O problema é que ela também é subjetiva e cada um vai sentir uma coisa diferente, porque vai depender da pessoa e tudo o mais.

Um exemplo disso é a (baixíssima, aliás) expressão "foda". Quando você a lê, você imagina uma coisa, uma situação; outra pessoa vai imaginar outra. Se, para um, "foda" é aquele cara bom em tudo, para outro "foda" pode ser alguém que só atrapalha.

Aí, temos a prosa. Ela não é tão sensorial, assim - mas também provoca emoções. E, ao contrário da poesia, o autor controla essas emoções simplesmente ao colocar uma sequência de acontecimentos lá. Assim, não importam (tanto) as palavras, e sim a situação; e estará tudo nas mãos do autor, que vai decidir se te deixa ansioso, emocionado, triste ou feliz. Claro, antes, ele deve conquistar a pessoa que está lendo mas, uma vez feito isso, ele terá seus leitores em suas mãos.

Enfim. O que eu sei, é que eu quero ir para a prosa. Eu não quero fazer as pessoas sentirem; eu quero fazê-las viver. E, talvez, eu não tenha a capacidade para tanto - talvez eu não consiga conquistar as pessoas. Mas, se eu conseguir conquistar um leitor só, acho que já sentirei como se tivesse o mundo nas minhas mãos.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Abismo



Seus olhos eram negros como o abismo da noite. Olhar para eles era como se afogar. Como perder-se. Ora, eram o desespero de um túnel longo e sem fim. Ora eram o conforto do céu de noites sem Lua. Brilhavam, e eram apagados - porque apagavam-se ao perder o brilho (perdiam o brilho quando perdiam a felicidade).
Mas eram escuros. Escuros. E cheios de calor. Mas não o calor aconchegante. O calor que incomoda - o calor que não se gosta de sentir por muito tempo. Calorosos demais. E escuros. Tristes. Mas cheios de vida. E sem luz. Iluminavam tudo ao seu redor, mas ainda assim permaneciam escuros.
Eram como duas jabuticabas - quando estavam com fome. Mas não eram suculentos, por mais saborosos que fossem de se olhar. Eram cheios de mistério, mas ao mesmo tempo eram tão simples que chegavam a ser entediantes. O que eram aqueles olhos?
Ninguém sabia, de verdade. Julgava-se. Imaginava-se. Adivinhava-se. Experimentava-se.
Mas não havia quem fosse corajoso o bastante para jogar-se naquele abismo. Não havia.
Portanto, eles permaneceriam um mistério vazio e desconhecido, até que alguém se atrevesse a entrar neles e sua alma abraçar.
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(Ser modelo por ter olhos claros: muito salário. Sua professora de Linguística fazer poesia para seus olhos justamente por serem tão pretos: não tem preço.)